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Mostrando postagens de setembro, 2024

O Mais Cego dos Amores

O mais cego dos amores Por que não consigo te ouvir? Por que me cansas tanto quando ouço tua voz, me reviras o estômago. Me dói o peito, acaba meu estoque de lágrimas. É fantasioso. Disso preciso me lembrar. Me ama e eu te amo, mas é o mais dolorido dos amores. A culpa me come viva, bactérias se alimentam da minha carne. Estou perdida em meio ao maniqueísmo da vida e a complexidade do real. Foi você quem me ensinou. Como, em todas as dimensões, vou ignorar os meus valores? Perdoa-me e desejo-te sorte em suas reencarnações. Que ascenda à luz do que é pleno. Preciso enxergar novamente. Texto por Natalia Maciel.

Somente na Memória

Somente na memória É lá que existes. É lá teu lugar. Vive numa parte tão iluminada em mim, que não preciso de luzes e holofotes frente às câmeras. Gosto de ti nos bastidores do meu bem mais preciso: minha mente. Lá te vivo e te repito. Te guardei para reprisar nossos momentos, aqueles em que a mão não alcança. Te sonho. Entende? É o conforto imutável do que há de mais gostoso e palatável.  Permanece-te ali. E somente ali, na memória, onde te vivo de forma plena. Texto por Natalia Maciel.

Arrependimentos Interruptos

Arrependimentos interruptos Do que passei, não me vieram arrependimentos. Atenção! Pensarei sempre sobre o andar da minha vida, mas de arrependimentos me interrompi de viver. Se foi, não há torturas do imaginário que me façam mudar o passado. De que adianta me bater por aquilo que ajudou na minha construção? Não digo eu que todos os meus passos me fizeram bem. Longe disso! Mas afogar memórias é, para mim, afogar "eus" passados, presentes e futuros. Afogar o direcionamento da vida. E se? Ô perguntinha doída... O "e se" não existe, meu bem. É ilusório. Se existisse, ele já seria. E, se quer que seja, não tente matar a dor passada, parta a vida que quiseres parir. Interrompi meus arrependimentos há muito tempo. E, desde então, estou em processo de parto. Texto por Natalia Maciel.                                                             ...

Vá Sem Pressa.

Vá sem pressa. Vá. Mas vá sem pressa. Enquanto estivermos juntos, de nada importa o tempo. Madrugadas se tornarão apenas dias ao contrário, tardes sem sol, iluminadas pela luz da lua. Por que a corrida, meu bem? Se estás comigo e estou com você, não há nomes, gritos e egos que me impedirão de ser feliz. Pararemos o rádio-relógio. Sussurros e horas serão um fundo nebuloso na nossa história. E nada mais que isso. Pois travaria guerras pelo seu sorriso, velejaria os sete mares pela sua risada. E somente esses seriam os sons que escutaria, os das bandeiras esteadas e das ondas navegadas. Ah! Juntos vamos ouvir a música que ainda não te mostrei. Levarei o disco no barco, fique tranquilo. Mas de sussurros nada ouviremos... Texto por Natalia Maciel.  

Os Ventos Estão Mudando

Os ventos estão mudando Sinto a metamorfose chegar, sonho com tua presença. Onde há mudança, há movimento, há vida. Junto a todo esse vento redirecionado, o desconforto, a dor e o desgaste. E como dizem por aí, a zona de conforto é deliciosa. Mas nada acontece por lá. Me pego pensando que caminho é esse que se toma, só uma lâmpada está acesa. E quanta esperança carrega essa lâmpada! Pego-me perambulando por aí, às vezes, sem rumo. Se isso não acontecesse, acho que duvidaria mesmo assim. Essa é a quebra do ser humano, a rachadura que pode nos desmanchar. Pega uma estrada aqui, uma lá e se tudo vier em contramão, vai pelo mato, vai por onde ninguém foi. Cria teu próprio caminho. Constrói tuas pedras, suja os pés na grama, na lama e na trama. Lembra por onde andou nas marcas da tua natureza. Os ventos estão mudando. E essa é a maior constância de nossas sujeiras trilhadas. Texto por Natalia Maciel.

A Pureza das Pequenas Estrelas

A pureza das pequenas estrelas Estrela nascida em céu de incerteza. Criada em vida no simples do colo materno. Ô Estrelinha, revirou meu peito de amor. Não consigo entender o estelar infantil. Nada te fiz, nem te prometi. Mal estava aqui. Mas seu abraço apertado, suas palavras intocáveis, me fizeram sentir a estranheza do sentimento desvinculado. Ô Estrelinha. Como é que fizestes isso? Logo comigo que levantei tantos ceticismos. Nasceu, disso tenho certeza, no céu mais limpo que havia. De estrela só havia você, e do seu carinho outras estrelas nasceram. De você, Estrelinha, veio a pureza das pequenas estrelas. Texto por Natalia Maciel.   

Um Retorno de Épocas

De tempos em tempos, nosso amor cresce em acalento... Você é um retorno de épocas. Daquelas em que as crianças coravam sentadas embaixo da árvore. E sentir o gosto da Coca-Cola cantada. Andar de mindinhos juntos e mãos nos bolsos traseiros das calças. Estar com você é a paz de sentir o para sempre esperado. O eterno de mentes e corações que se ligam. No auge dos 20 e poucos, vem o debate. Quem nós somos, para onde vamos e como pensamos.  Nesse momento, somos personalidades ímpares. Ímpares e imbatíveis. As rugas apareceram aos poucos. Tornou-se meu companheiro inevitável de luzes, velas e lamparinas. Ao seu lado, tenho a segurança no escuro. Do cafézinho de manhã e um beijo de despedida até o bater dos pés em uma dança desmedida. Os pés se cansaram. Mas continuas sendo meu eterno porto. Onde desembarcaram lágrimas, sorrisos e o tédio delicioso da rotina que criamos. Hoje descansamos juntos em lanches da tarde, caminhadas e idas ao mercado. Sentamos, andamos, dançamos e descansamos....

Das Ondas de Gilberto

"O amor se deixa surpreender, enquanto a noite vem nos envolver." Das ondas de Gilberto. De Gilberto não, das ondas pelas quais se referiu. Da vida são livres, assim como o amor, o cais e as cidades. Olha. Olha o circular do amor, as cidadelas que o envolvem, a vida que se nasceu em vãos. Do rio à terra. Do mar ao céu. Não há lugar onde não se encontre o amor. Ele independe do seu querer, se encontra mas te encontra, antes que o tente. Deixa surpreender. A luz de quem ama jamais se apagará. Porque, meu bem, o amor está contigo, mas é livre pelo mundo. Pode se esmaecer a luminosidade, mas estará ali. O segredo é se permitir enxerga-lo, olha-lo pelo cais, de longe, mas o sentindo no peito. Paciência, meu querer. O amor é livre e te encontra. Somente tenha olhos para os formatos em que ele virá. Amor não é sentimento estagnado e definido, é movimento orgânico de amores livres. Deixe o amor te envolver. Texto por Natalia Maciel.  

Pileco Rouba Montes: Uma Figura Boêmia

Pileco Rouba Montes: uma figura boêmia. Pileco Rouba Montes era seu nome e montes ele roubava. Montes de comida, regalias, distrações e boas bebidas. A noite boêmia era sua confidente, pessoas iam, vinham e deixavam para trás os montes a serem coletados. A noite mundana não cuidava dos bens que lhe eram deixados. Pileco oferecia lar: sua barriga saliente abrigava banquetes marginais, suas mãos se distraíam com os batuques da cidade e suas regalias preferidas eram os cigarros abandonados. Roubava do mundo, das ruas estreitas perto do barzinho de esquina, das vielas que apagariam um item precioso: a vida a ser consumida. Pileco roubava para que não te roubassem a vida espalhada pelo mundo. Rouba Montes viveu seus excessos, e hoje os deixa para aqueles que ainda não aprenderam a roubar. Texto por Natalia Maciel.  

Sobre Voltar a Amar

Sobre o amar e o desamor; Sobre voltar a amar. Me sinto ambígua. Entre o vazio e a raiva, a dor da falta é insuportável. Então, escolho a raiva. A decepção dura pouco tempo, pois, por mais real que seja, é somente um pingo lacrimoso em uma bela história de amor. Me sinto ambígua, criarei um clube para aqueles que não querem sofrer pelo amor machucado. Para aqueles que veem o tortuoso por trás do amor sentido. É outra parte difícil que agora surge. Aceitar que quem amamos são mal feitores tanto quanto nós. E, quando o amor se fez genuíno... A raiva já passou, se esvaiu no pouco tempo em que estava pensando em senti-la. O que sobraram foram memórias. Gostaria eu que fossem ruins. Memórias boas trazem um buraco ao peito, o inteiro de cada lado que se separou. O cantinho ali que antes era reservado para nós ficou vazio. O presente que eu mais gostaria de ganhar está em falta, sem previsão de chegada. Então, busco a melhor forma de caminhar pela tempestade, mesmo sabendo que já estou molhad...

Baú de Emoções

Sentimentos movimentam. Expressa teus sentimentos, flui tuas emoções. O Eu não guarda amor em baús, este é tesouro livre. O afeto, o desejo, o cuidado são movimentadores. Sente, sente até mesmo a vergonha de sentir. Sente o descontentamento, o luto, o temor e a inveja. Sentimentos reconhecidos e desvendados, digo eu, são antecedentes à vida plena. Então cuida das tuas emoções, é no observar que elas se esclarecem. E sentir o próprio sentir, aceitar o ser carne e espírito humano, é abrir margem para o novo, o antigo e o desconhecido. Texto por Natalia Maciel.  

Fumaça Estrangeira

Abri a janela e me veio no rosto o gelado do vento misturado com cheiro de tabaco e saudade. O gostinho do vinho e o quente do aquecedor. Às ruas estrangeiras, lhes agradeço. Por um momento, voltei no tempo, e me escorre uma lágrima molhada de memórias. Memórias intocáveis. Nesse frio e naquele, elas aquecem meu coraçao. Hoje, obrigada ao passado, por se manter assim, do jeito que foi e que jamais será. Texto por Natalia Maciel.  

Blocos de Cimento

Amar sua pessoa ameniza minhas taciturnas noites, amar ameniza minha taciturna vida. Não há um dia em que eu possa viver sem melancolia, sem amor, e sem você. Mas se um dia eu vir a ter que presenciar particular acidente, terei que sobrepor o peso de tais sentimentos, e afagar o deleite de uma plena memória. Mas hoje penso, qual memória?  Vejo que minha lembrança pode ter se confundido. Então, espero.  Espero eu que você deixe de existir, aos poucos, em mim. Amanhã, existirá menos, já defini isso. Não me lembrarei mais de você, me lembrarei de (in)verdades. As histórias se foram, não existem mais, não espero mais. Deixem que se quebrem os blocos de cimento. Texto por Natalia Maciel.  

Pogo - A Vida Que Não Se Viveu

Pogo - A Vida que Não se Viveu. Viviam em uma fazenda dois amigos, um rapaz robusto e de baixa estatura chamado Bono e seu companheiro Pogo, seco como uma árvore a desfalecer e de aparência demasiada preocupada para alguém tão miúdo. Bono estava sempre a respirar o ar livre mascando fumo, despreocupado e tranquilo como são bem representados aqueles que vivem na roça. Pogo, seu amigo irrequieto, estava a todo momento matutando ideias e preocupações, refletindo sobre as mazelas do mundo e tudo que poderia tomar contramão. Pogo amava o mundo, mas pouco o visitava, estava sempre olhando pela janela o que estava a perder. O jovem preferia observar o que de longe parecia tão único e feito nas medidas certas, do que arriscar o cenário ao se incluir nele, arriscar sua desilusão, a ideia de que, talvez, houvesse algo de não tão perfeito no mundo. E havia. Bono constantemente falava ao seu companheiro que, de dentro da janela observava tudo, "Vamos Pogo! Olhe como é belo, há vida em todo lu...

Chinelo Duro, Chinelo Mole!

Ô caminho comprido, longo como quem vem, perto como quem foi, Vou a pé caminhando, a paisagem vale à pena. Mas e aquele lá? Tá calejado! As pedras amarelas ficaram alaranjadas, quase rubro se olhar bem de pertinho. Não corre. Caminha. Não assume. Observa. Ver o mundo por si só, não é ver o verde, muito menos o azul do céu, Ver o mundo sozinho é tirar o vermelho do amarelo. Olha com o outro, olha pelo outro. O chinelo duro não vai enrijecer o seu. Não descola, não! Junta bem juntinho, que o diverso se acolhe, se mostra no real. O igual separa, divide o caminho, Divide ele e você vai sozinho, sozinho com vários iguais a você. Texto por Natalia Maciel.  

Passado Interdito

Recordação que se emaranha, Falta que aprendeu a andar. A saudade não me incomoda, Mas de sentimentos já tenho muitos. Quero sentir e recordar, Não quero sentir falta recordando. Então, anda. Porque do presente, já faço o futuro, E, do meu futuro, faço o passado. Passado distante, Fogueado pelo que vem. Futuro presente, Acarinhado pelo que foi. "...Quero dizer que, quanto ao passado, eu tenho recordações, mas não saudade. Saudade, pra mim, é um desejo de volta. Isso eu não tenho." - Cora Coralina. Texto por Natalia Maciel.  

Chá Entre Diabos

Senti a necessidade de expurgar alguns demônios. As nuvens estão carregadas, os trovões estão prontos a barulhar e, para que não incomode o descanso dos companheiros indesejados, acordarei meus convidados e os mandarei embora. Mas antes, os ofereço um chá. Nada melhor em tempos chuvosos. Ah, o agridoce de ser estar no mundo. Não seja comigo aquilo que estou, mas esteja comigo naquilo que sou. Logo mais os acordarei novamente. E, do endiabrado da vida, hoje sou mais que meus demônios, mas menos que sua ausência. Texto por Natalia Maciel.  

Ilumina!

Quanta luz, Ilumina o que não quero ver... Mas ilumina! Continua! No escuro, não vejo a bagunça, Mas a sinto. Então, ilumina. Quero arrumar o nebuloso. Quero desanuviar o sentimento. Sentimento encoberto paralisa. E paralisia de dores e amores. Então, ilumina. Porque no escuro me perco, E hoje quero me encontrar. Texto por Natalia Maciel.  

Ô Melancolia!

Ô melancolia! Me ensinou a sentir a vida, sem ti eu não vivo. Me ensina mais! Ando sentindo falta daquilo que não vivi. O que faço eu com o que não existiu? Imagino que você esteja brincando comigo. Esse é o ponto, não é? Sofrer pelo que não se passou é a sina do melancólico. Viver com o que não se viveu, e amar cada detalhe da inexistência. Texto por Natalia Maciel.  

Olhos e Olhares.

Olhos e olhares. Mares não explorados e caídos em contos urbanos. Há quem diga que escondem verdades... Se o fazem, estão escondidas em luz, à vista daqueles que sabem observar. Olhe para aquele que te olha, meu bem. Aprenda a fazê-lo para que desvende histórias nunca antes contadas, dores vividas e segredos trancados. Mas guarde. Guarde para ti, pois aquilo que observa não é teu para compartilhar. É o acordo silencioso entre olhos e olhares que se enxergam. Texto por Natalia Maciel.  

Minha Querida Casca.

Minha querida casca. Ah, casca querida. Te fizeram desgostosa na beleza da vida, te fizeram sofrida. Sua graça se quebrou aos poucos, minha guardiã. Guardia expressiva daquilo que sou, do que me passou e me salvou. Se sacrificou para que o que me era bonito permanecesse ali, silenciosamente guardado no âmago da esperança. Empoeirado e esquecido, mas vivo em descanso inconsciente. Um dia, minha casca será somente isso, uma casca. Frágil e abatida. Regada de batalhas vencidas. Então cuida-te, cuida da tua casca. Na efêmera passagem da vida, a velha amiga amurada será uma lembrança daquilo que te foi feio, mas um suspiro da beleza porvir. Texto por Natalia Maciel.