Arrependimentos interruptos
Do que passei, não me vieram arrependimentos. Atenção! Pensarei sempre sobre o andar da minha vida, mas de arrependimentos me interrompi de viver.
Se foi, não há torturas do imaginário que me façam mudar o passado. De que adianta me bater por aquilo que ajudou na minha construção?
Não digo eu que todos os meus passos me fizeram bem. Longe disso! Mas afogar memórias é, para mim, afogar "eus" passados, presentes e futuros. Afogar o direcionamento da vida.
E se? Ô perguntinha doída... O "e se" não existe, meu bem. É ilusório. Se existisse, ele já seria. E, se quer que seja, não tente matar a dor passada, parta a vida que quiseres parir.
Interrompi meus arrependimentos há muito tempo. E, desde então, estou em processo de parto.
Texto por Natalia Maciel.