Minha querida casca.
Ah, casca querida. Te fizeram desgostosa na beleza da vida, te fizeram sofrida.
Sua graça se quebrou aos poucos, minha guardiã. Guardia expressiva daquilo que sou, do que me passou e me salvou.
Se sacrificou para que o que me era bonito permanecesse ali, silenciosamente guardado no âmago da esperança. Empoeirado e esquecido, mas vivo em descanso inconsciente.
Um dia, minha casca será somente isso, uma casca. Frágil e abatida.
Regada de batalhas vencidas.
Então cuida-te, cuida da tua casca.
Na efêmera passagem da vida, a velha amiga amurada será uma lembrança daquilo que te foi feio, mas um suspiro da beleza porvir.
Texto por Natalia Maciel.