Pogo - A Vida que Não se
Viveu.
Viviam em uma fazenda dois amigos, um rapaz robusto e de baixa estatura chamado Bono e seu companheiro Pogo, seco como uma árvore a desfalecer e de aparência demasiada preocupada para alguém tão miúdo. Bono estava sempre a respirar o ar livre mascando fumo, despreocupado e tranquilo como são bem representados aqueles que vivem na roça.
Pogo, seu amigo irrequieto, estava a todo momento matutando ideias e preocupações, refletindo sobre as mazelas do mundo e tudo que poderia tomar contramão.
Pogo amava o mundo, mas pouco o visitava, estava sempre olhando pela janela o que estava a perder. O jovem preferia observar o que de longe parecia tão único e feito nas medidas certas, do que arriscar o cenário ao se incluir nele, arriscar sua desilusão, a ideia de que, talvez, houvesse algo de não tão perfeito no mundo. E havia.
Bono constantemente falava ao seu companheiro que, de dentro da janela observava tudo, "Vamos Pogo! Olhe como é belo, há vida em todo lugar, nascendo em todas as raízes do campo...". Pogo via a vida, sabia seu valor, mas não almejava pisar em campos ou cidadelas que, por mais cheias de vida que estivessem, ou guardavam a maldade humana em suas trestas e vielas, ou eram puras demais para que Pogo ousasse destruir a inocência daquilo que ainda era uma folha em branco. O jovem valorizava a vida, valorizava tanto que a parou de viver.
A imaginação era o conforto do jovem, de nada poderia vir a dar errado naquilo que apenas possuía forma imagética.
O concreto guardava consigo algo que na imaginação de Pogo não era possível: a morte encontrar a vida.
Texto por Natalia Maciel.